/ por Dilermando Zanella Neto /

Ao sair de uma sala de cinema em 1978, após uma sessão de Guerra nas Estrelas, fiquei simplesmente extasiado. Não apenas com a narrativa épica que acabara de presenciar, mas também com os incríveis efeitos especiais que haviam me transportado para uma galáxima muito distante. Aquelas naves espaciais me fascinaram, em especial o cargueiro do contrabandista (e herói) Han Solo.

Os anos foram passando e pude aprender mais sobre a Millenium Falcon através dos outros filmes e também das outras diversas mídias e produtos pelos quais a saga se espalhou. Compreendi então que um dos grandes diferenciais de Star Wars é essa possibilidade de expansão de seu universo: muitas outras pessoas puderam participar dessa construção narrativa e eu também poderia.

A paixão pelos brinquedos e itens colecionáveis da saga também me aproximou ainda mais do mundo das miniaturas. Mas limitar-me àquilo que era lançado pelas grandes empresas americanas não era o bastante. Queria trazer à vida muitas outras peças daquele universo, mesmo em uma época em que a palavra “customização” era raramente ouvida.

O projeto da Millenium Falcon, desde sua concepção, tem pelo menos uns 15 anos, entre o querer e o fazer. Passou por vários protótipos, de cartolina até o PVC. Da falta de referências ao surgimento da internet. Da pesquisa em livros e revistas ao lançamento de kits e brinquedos.

O projeto mudou muito. No início era para ser construída a nave toda. Depois somente a sala de computadores, depois apenas o cockpit. Então surgiram as imagens do Starshipbuilders, do Ketzer, e do NiubsUniverse (hoje Diorama Workshop), cujo criador Frank Diorio sempre foi uma grande referência para mim e com quem tive o prazer de me encontrar na Star Wars Celebration de 2012.

O ambiente onde eram vividas as grandes tensões dos filmes foi por onde comecei: o cockpit. A partir de um vaso de flores de plástico começou sua construção. Daí em diante desenvolvi a ideia de buscar materiais recicláveis para o resto da nave. Hoje um termo comum no modelismo, o “scratch building” apareceu em nosso contexto principalmente pela falta de recursos.

Nossa principal inspiração surgiu em 2007, quando a empresa francesa Attakus lançou seu diorama da Millenium Falcon em corte. Algo muito inovador e bem alinhado com a nossa ideia de mostrar as entranhas tecnológicas de Star Wars. O corte é bastante comum nas áreas da engenharia e da arquitetura, mas ainda espanta várias pessoas que nos perguntam porque não construímos o restante da nave. Bom, se um dia construirmos, ela continuará fatiada ao meio para enxergarmos tudo aquilo que o filme não mostra.

Acho que poderia facilmente escrever um livro contando tudo que aconteceu durante esse projeto, mas gostaria de salientar alguns aprendizados que obtive com ele. Conheci grandes valores, principalmente com o amigo André Domingues, co-autor da obra; aprendi que “querer é poder” e que o material não importa, mas sim a criatividade. Aprendi a amadurecer minhas próprias ideias, enxergar o mundo com outros olhos e sempre começar, recomeçar e começar de novo. A Millenium Falcon em corte foi muito divertida, mas como sempre digo, o melhor projeto é sempre o próximo projeto. Então que venham os próximos desafios!

ABOUT THE AUTHOR

Curador cultural especializado no segmento nerd. Coordenou o projeto Geek.Etc.Br na Livraria Cultura entre 2012 e 2016, e atualmente é consultor na V&F Consultoria e Eventos. É editor do site Hipertextos, e estreou como roteirista de quadrinhos no final de 2016, no projeto Pátria Armada - Visões de Guerra. Presidiu o Conselho Jedi São Paulo, em curtíssima temporada, em 2001, e hoje faz a gestão de conteúdo do grupo.